quarta-feira, setembro 24, 2008

quando a mulher liberta seus dons como uma borboleta se liberta do casulo...

Eu quero sair correndo pela floresta
Para me reunir à matilha

Eu quero poder dançar em volta da grande fogueira
E entoar cântigos antigos

Quero poder ver fora o que já encontrei dentro de mim.

Olivia Frade Zambone

DOMÍNIOS

Já tentaram me dominar de vários modos.

Já tentaram domar as minhas mãos,
com esmaltes brancos, francesinhas e florzinhas.

Já tentaram domar os meus cachos,
com escovas, chapas e mechas californianas.

Já tentaram domar os meus seios,
dizendo que eram grandes, caídos, desproporcionais.

Já tentaram domar o meu ventre,
com lipos, plásticas e abdominais.

Já tentaram domar o meu sexo,
ordenando-me como fazer, com quem e quando.

Tentaram então controlar meus pensamentos,
dizendo-os impuros, imprópios, impertinentes.

Não satisfeitos, disseram que era errado ser mulher.
Que a mostra maior do poder feminino era vermelha demais,
suja demais,
demorava demais.
dava câncer.

Forçaram-me a acreditar em algo sem sentido,
a ter fé em ser fálico, masculino, diferente de mim.

Colocaram-me numa fôrma e disseram:
trabalhe desse jeito
aja desse jeito
seja desse jeito....

Ora, deixem-me!

Eu faço o que quero
trabalho como quero
me visto como quero
vou aonde quero
transo com quem quero
amo quem quero
penso o que quero
falo o que quero
sou o que quero!

Não me venha com frases-feitas,
provérbios antigos,
pensamentos estagnados
dogmas inabaláveis
piadas de mau gosto diminuindo o meu gênero.

Sou fogo e água, antiga e jovem
Venho do Norte, trazida pelos ventos do Sul
Minha vida é a eterna dança
no caldeirão de possibilidades
que criei para mim mesma.

Olivia Frade Zambone


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